segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Edição_Manual Digital_05

Marketing Digital

No artigo Porque anunciar no site do bairro discutimos o problema que muitas empresas têm na Internet hoje. Desenvolveram bons sites, com informações sobre produtos, serviços, disponibilizaram formas de contatos no site, respondem a e-mail's com rapidez mas...

...não conseguem atrair internautas para seu WEBsite.
Por não conseguir um bom volume de internautas não consegue desenvolver negócios via site e começam a se questionar se a Internet realmente pode alavancar seus negócios. O que temos percebido no mercado, é que as empresas que investiram no desenvolvimento de seus WEBsites, não importando se foi muito ou pouco, tinham uma expectativa de geração de negócios e esta expectativa na maioria das vezes foi frustrada.

No nosso ver, faltou pensar na 2ª etapa do processo de inclusão da empresa no mundo digital. Faltou desenvolver um Plano de Marketing Digital. Mas o que é isso?
É o planejamento de todas as ações após a empresa ter concluído o desenvolvimento do WEBsite..Inicialmente a empresa desenvolve um Projeto Internet. Seja ele de e-business, e-commerce, etc... não importa. É necessário ter sido desenvolvido internamente pela empresa este projeto.

Não se fala daquela reunião de 30 minutos com um fornecedor, onde ele faz meia dúzia de perguntas, volta no outro dia com o orçamento, é aprovado em nova reunião de 30 minutos e em 30 dias colocar o site no ar. Isto não é projeto. Isso é um site.
No projeto ideal deverá estar contemplado, além de vários itens (recursos humanos, infraestrutura, etc...) as ações estratégicas da empresa na Internet. Nesta estratégia deverá constar que, após o lançamento da 1ª etapa, ou seja, da colocação do WEBsite no ar, deverá ser planejado as ações visando divulgar a empresa, atrair potenciais clientes e oferecer novos serviços aos atuais clientes.

E como fazer isto ?

Desenvolvendo um plano onde serão definidas todas as etapas possíveis de se atingir nosso público-alvo.

Criando uma forma de comunicação específica para cada segmento de clientes, onde de acordo com a percepção deste público, iremos procurar atingi-lo de forma mais eficiente.

Segmentando por perfil (seja geograficamente, por comportamento, por necessidade, etc...), devemos desenvolver ações específicas para cada grupo.
Assim teremos implementado a 2ª e mais difícil etapa de um projeto de e-business, ou seja, estaremos buscando ampliar nossa audiência e freqüência no site.
Só assim teremos o tão sonhado sucesso na Internet.

Fonte: Artigo do consultor Paulo Roberto Kendzerski (com adaptações) (www.portaldomarketing.com.br)

Edição_Manual Digital_04

Textos Digitais, Internet, Marketing e Relações Públicas

A conexão ao mundo digital é a expressão-chave para designar o profissional do futuro. Lidar bem com as ferramentas de comunicação através da Rede, saber usá-las em benefício da empresa e de seu desenvolvimento significa estar à frente da concorrência.

Se é verdade que a velocidade chegou à palavra escrita, há que se estar preparado para os benefícios e, por que não?, para os perigos dessa velocidade. É preciso imaginar, cada dia mais, o potencial dos benefícios e, por outro lado, os perigos.Quanto aos textos impressos em papel, alguns estudiosos estão chegando à conclusão de que continuarão valendo para conteúdos mais importantes e aos quais se queira imprimir durabilidade. Os textos tipicamente digitais, por sua vez, continuariam a ter a descartabilidade que atualmente já se testemunha.

Segundo recentes notícias da mídia impressa e eletrônica, um novo estudo americano prova que, na Web, textos chamam mais a atenção. Não é à toa, portanto, a corrida por conteúdo que hoje vem caracterizando e transformando a grande rede. E a lição que fica mais uma vez é que a Web tem suas próprias regras, as quais nem sempre coincidem com as do mundo analógico.

A notícia é boa para os redatores, com a condição, é claro, de que se reciclem e se adaptem cada vez mais ao meio eletrônico. O que não dá mais é para se ficar à mercê de textos longos, truncados e mal escritos (grifo nosso). É uma ótima oportunidade para os redatores se recriarem, mostrando que estão antenados com a vida digital. Os webdesigners e webmasters, salvo os casos de honrosa coincidência, não podem e nem devem ficar sós na criação e no gerenciamento dos sites, afinal, até segundo aviso, não são necessariamente redatores.

As notícias e a própria realidade mostram que redatores (ainda por muito tempo!) continuarão com trabalho e emprego garantidos. Não serão excluídos digitais. Pelo contrário, dentro e fora da Web e do ciberespaço, há muito o que fazer pela frente.

As pressões competitivas do mercado globalizado vêm exigindo que as empresas façam uso da tecnologia digital com o intuito de aprimorar o atendimento ao consumidor. Simplesmente satisfazer a necessidade do cliente não é mais sinônimo de diferencial: será preciso surpreendê-lo. Permanecerá no páreo quem souber fazer uso da criatividade e da adequação, objetivando oferecer soluções inovadoras e funcionais de modo a surpreender, cativar e manter o cliente.

Atualmente, a tecnologia da informação subsidia a área de marketing (entre outras) com ferramentas necessárias ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas e comerciais. Mas esse respaldo precisa ser recíproco, uma vez que o Marketing passa a ser fundamental no processo de diferenciação da empresa digital. A revolução provocada pelo desenvolvimento de novas tecnologias neste final de século atingiu em cheio as profissões. Algumas desapareceram, outras surgiram e a grande maioria sofreu algum tipo de transformação nesses tempos de tecnologia digital. A Internet é uma das principais responsáveis por esse novo quadro - é consenso que poucas profissões vão conseguir escapar ilesas ao impacto causado pela grande rede.

Quem souber tirar vantagem dos inúmeros recursos oferecidos pela Internet sairá ganhando, já que a World Wide Web encerra infinitas possibilidades no campo profissional. Ganham importância estratégica nas empresas os profissionais responsáveis pelas informações digitais. Com o crescimento das bases de dados, é essencial que as organizações possam acessar com facilidade e eficiência informações úteis, em especial as que influem diretamente na gestão e no processo de tomada de decisões.


Fontes:

Trechos da reportagem:

- As profissões e as novas tecnologias

Artigos dos Consultores:

- Paulo Gustavo
- Sílvia Uchoa
- Lília Barbosa

Todos do website http://notitia.truenet.com.br/desafio21

Edição_Manual Digital_03

Requisitos Básicos para escrever Textos Digitais

Todos os lados da Internet possibilitam a escrita de textos, permitindo ainda, a inclusão de áudio, vídeo, gráficos animados, e ainda, um espaço interativo, onde o internauta pode comentar o conteúdo dos textos. Para dominar a arte do Texto Digital, o redator precisa preencher os seguintes requisitos:

- Dominar as atuais tecnologias existentes;

- Capacidade de mexer com várias mídias ao mesmo tempo;

- Ter domínio da Língua Portuguesa;

- Ter bagagem cultural;

- Saber contextualizar as informações;

Fonte: FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. Editora Contexto

Edição_Manual Digital_02

Portais: Ferramentas da Internet


A grande maioria dos websites de Comunicação se transformou em Portais, cuja função principal é atrair o internauta para um conteúdo farto e variado. Para que um website seja considerado Portal, deve ter, comumente as seguintes sessões:

- Ferramentas de Busca - Antes de 1996, quando surgiram os primeiros sites de busca, as informações só estavam disponíveis para quem tinha o endereço exato. Depois do surgimento dessa ferramenta, os usuários começaram a “surfar” pela web e com isso, cresceu a visitação aos sites. Os mais conhecidos são o Cadê?, o Farejador iG, sem contar o website mais visitado no mundo, o Google.

- Comunidades - O conhecimento do perfil dos freqüentadores ajuda o portal a medir o valor dos negócios. É preciso conhecer a realidade sócio-econômica de quem acessa o portal.

- E-Commerce (Comércio Eletrônico) – Não são generalizados, pois atendem o perfil de suas comunidades. Assemelham-se aos shopping centers, mas enfatizam determinadas áreas, especialmente as de eletro-eletrônicos. Alguns dos exemplos mais conhecidos no Brasil: Mercado Livre e Submarino.


- E-mail Gratuito – Um dos primeiros recursos para manter a fidelidade dos usuários, tem a vantagem de ser acessível de qualquer computador, bem como de qualquer browser. Os mais famosos: Hotmail, Bol, Pop, Yahoo, Zipmail, Ig.

- Entretenimento & Esportes – São as áreas mais visitadas dos portais. Na área esportiva, se tem de tudo, do Campeonato Pernambucano às últimas notícias dos Jogos Olímpicos. Na área de diversões, são guias para TV por Assinatura, cinemas e teatros, as “fofocas”, os jogos on line, as páginas de celebridades.

- Noticiários - Passaram a figurar nos portais em 1998, como simples botões para links diretos para veículos de Comunicação ou por Editorias de conteúdo próprio. As divisões podem variar, mas geralmente incluem Economia & Negócios, Mundo, Artes & Diversões, Esportes, Ciência & Tecnologia, Brasil, Política, Teenager e Infantil.

- Bate-Papo – O protocolo Internet Relay Chat (o famoso IRC) é um recurso que existe desde a década de 1980 e permite que os internautas conversem em tempo real, de várias localidades diferentes. Para agrupar os internautas, diferentes salas de assuntos variados foram criadas, como Namoro, Sexo, Cidades, Amizade, etc. A possibilidade de agrupar pessoas geograficamente distantes faz do chat um dos “puxadores” de audiência dos portais. Uma versão mais recente de chat, o Messenger, reúne usuários em comunidades e avisa qual integrante está on line. O mais conhecido deles é o MSN Messenger, uma febre entre jovens do mundo inteiro.

- Discos Virtuais – São sites que disponibilizam gratuitamente um espaço em seus servidores para que o usuário armazene quaisquer tipos de arquivos. O usuário pode acessar via web, de qualquer computador.

- Home Pages Pessoais – Surgiram em 1999, para que os usuários exibissem fotos, hospedassem trabalhos escolares ou colocar o próprio currículo na web. Sites como o GeoCities, o HpG e o VilaBol oferecem espaços para que o usuário hospede sua URL. Alguns oferecem um diferencial a mais: ensinam a criar a versão HTML da página, com fotos ilustrativas e um passo-a-passo intuitivo.

- Páginas Amarelas – Semelhantes às listas telefônicas, são guias de endereços comerciais, que também contêm mapas de ruas, telefones úteis e guias de serviços, como emissão de documentos. Podem ser próprios dos sites ou links para as páginas geradoras desse tipo de conteúdo.

- Mapas – Do Atlas ao trânsito do Recife, tudo está na rede. Estradas, tráfego aéreo, todos os tipos de mapas. A sofisticação do serviço permite ao usuário escolher o melhor caminho para se deslocar de casa até o trabalho.

- Previsão do Tempo – Antes restrito às principais cidades do País e do Mundo, hoje, em segundos, informam de cidades de todo o Planeta. Inclusive com a probabilidade de mudanças climáticas repentinas. O Climatempo e o The Weather Channel são exemplos de sites de previsão do tempo.

- Mercado Financeiro – Dólar, ouro, bolsas de valores, tudo isso disponível on line para o usuário, com acompanhamento dos pregões internacionais, com direito a noticiários, bastidores, especulações e tudo que for relativo ao assunto.

- Canais – Separam por assunto de interesse o conteúdo do portal.

- Mapa do Site – É um guia sobre o conteúdo do site, normalmente disposto em ordem alfabética e grifado por links. São áreas usadas por usuários freqüentes, habituados a localizar uma página pelo nome e que não gostam de perder tempo olhando as chamadas da página inicial antes de ir ao site de sua preferência.

- Personalização – A tendência da Internet neste começo de século. Hoje a Internet não é simplesmente um espaço para despertar curiosidade. Já se trocam todos os tipos de informações através da Rede Mundial. Ao garantir liberdade e flexibilidade ao usuário, o portal recebe em troca o perfil do visitante, aumentando consideravelmente as chances de conquistar sua fidelidade.


Fonte: FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. Editora Contexto

Edição_Manual Digital_01

Apresentação: A Origem de Tudo

Em pleno século 21, você acreditaria que a Internet é coisa dos anos 60?

Provavelmente não.

Mas a Rede Mundial surgiu no mesmo ano em que todos estavam deslumbrados com a chegada do homem à Lua. Em 1969, a Internet foi criada quando a Arpa (Advanced Research Projects Agency – “Agência de Pesquisa e Projetos Avançados”), uma organização de defesa sediada nos Estados Unidos, estava desenvolvendo uma ferramenta a fim de pesquisar informações para o Serviço Militar (é bom lembrar que a época era de “Guerra Fria” contra a Ex-União Soviética). Assim nasceu a Arpanet, uma rede nacional de computadores que garantiria uma comunicação de emergência em caso de ataque – especialmente da União Soviética.

Assim, o banco de dados crescera rapidamente e a Agência de Comunicações e Defesa dos Estados Unidos ganhou o controle da Arpanet em 1975. Novos usuários surgiriam, eram os pesquisadores universitários que desenvolviam trabalhos nas áreas de Segurança e Defesa Nacionais. Como a Arpanet deveria ser para uso exclusivamente militar, novas redes foram surgindo: a Bitnet (Because It´s Time Network – “Porque é Tempo de Trabalhar na Rede”) e a CSNET (Computer Science Network – “Rede de Ciência da Computação”). Dessa forma, a Internet passou a ser acessível para outras comunidades acadêmicas nos Estados Unidos.

Em 1986, a National Science Foundation (“Fundação Nacional de Ciência”) contribuiu para a expansão da Rede quando desenvolveu uma teia que conectava pesquisadores de todo o país, através de centros de Informática, a NSFNET. Aos poucos, universidades investiam nessa área e em 1990, já eram mais de 80 países interligados.

Neste mesmo ano, surgiria a Internet tal qual a conhecemos hoje, via www(World Wide Web – “Rede de Abrangência Mundial”), um sistema baseado nos hipertextos e em sistemas de recursos para a Internet. Após sucessivas evoluções através de browsers como o Enquire, Samba, Mosaic e o Netscape chegamos ao Internet Explorer.

Os últimos cinco anos da década de 90 registraram um aumento significativo de usuários da Internet. Em 1996, haviam 56 milhões de usuários no mundo; hoje, são 200 milhões de usuários,e a tendência é um crescimento ainda maior. No Brasil, está previsto que, em dois anos, mais de 42 milhões de usuários entrem na Rede Mundial de Computadores e, de acordo com um estudo do Yankee Group, a segunda onda de usuários da Rede estará concentrada nas classes B e C.

A Internet chegou para ficar. Não se trata de uma moda e nem haverá qualquer retrocesso. Quem usa e-mail não vai voltar a escrever cartas e postá-las nos correios. No entanto, a Rede, enquanto mídia, ainda precisa se descobrir para poder se consolidar, apesar de ser um veículo que pode ser lido, ouvido e assistido. Ao mesmo tempo.


Fonte: FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. Editora Contexto

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Análise_Jornalismo-Espetáculo


"Um dos aspectos mais negativos do atual momento da mídia é o uso abusivo de elementos populistas na definição do enfoque das matérias. Nas últimas duas décadas, a mídia brasileira conquistou a maioridade. Passou a se orientar pela busca abrangente de público, induzida principalmente pela criação de uma indústria de consumo poderosa e pelas agências de Publicidade, que passam a se pautar por indicadores técnicos de audiência na hora de definição de suas verbas.

Esse processo acabou levando a mídia em geral a perder o viés ideológico, a aceitar a multiplicidade de opiniões e a se orientar cada vez mais pelo que julga que seu público está exigindo. Se isso tornou a mídia mais sensível e receptiva aos chamados clamores da opinião pública, por outro lado, trouxe um conjunto relevante de vícios que afetou bastante a seriedade do trabalho jornalístico. Principalmente porque, além da competição entre veículos, passou a ocorrer igualmente à competição individual entre jornalistas, cada qual tentando ocupar seu espaço diferenciado perante o leitor.

Primeiro, tornou a imprensa extremamente conservadora (no sentido de se recusar a ir contra temas consagrados) e medrosa. Assim como na indústria de entretenimento, passou a fugir de qualquer tema que, de alguma modo, pudesse soar ‘impopular’ ao seu público. Por outro lado, passou a supervalorizar temas menores. O conceito de ‘relevância’ quase desaparece, mesmo na imprensa dita mais séria.

Obviamente não se vai pretender que um jornal ou revista só trate de temas ‘sérios’. Há que se equilibrar os temas mais densos com seções mais leves e se recorrer, criativamente, a matérias de leitura fácil, notas leves, curiosidades. Em geral, essa distribuição se dá a partir das próprias editorias -Esporte e Cultura, mais leves; Cidades, com temas do cotidiano; e Política, Economia e Internacional, com temas mais pesados.

Só que, nessa busca incessante da diferenciação, a irrelevância acabou contaminando inclusive a parte mais densa dos jornais. Não se pode perder de vista que jornais e jornalistas exercemos função pública, somos parte relevante do sistema de decisões do País. O papel que a mídia tem a desempenhar na crítica ou defesa das decisões de governo, na identificação de abusos ou de iniciativas meritórias é insubstituível e dos mais decisivos para o próprio desenvolvimento nacional.

Ultimamente o efeito show tem sido preponderante na definição dos enfoques das matérias e colunas. O exercício da indignação ficou banalizado, posto que exercido em questões menores. A campanha contra o cearense da Faculdade de Medicina -o aluno que, bêbado, declarou em tom de brincadeira ter sido o assassino do calouro morto no trote- tornou-se um clássico da irrelevância da mídia.

Esse estilo foi radicalizado pelo aumento da competição não apenas entre órgãos da mídia, mas entre jornalistas. Em todos os níveis -rádio, TV e imprensa escrita-, houve uma valorização do jornalismo opinativo, catártico, fundado em mesmices e obviedades, em detrimento de um jornalismo mais técnico e impessoal, especialmente após a TV ter consagrado a figura do ‘âncora’, a pessoa incumbida de expressar os sentimentos e, especialmente, a indignação ao seu público.

Um ou outro âncora passam, alguns, até, exercendo com competência esse papel -como Boris Casoy e Jô Soares. Ocorre que o exercício da indignação acabou se tornando o objetivo principal da mídia. Ganhou mais importância soltar uma catilinária boba qualquer contra uma frase qualquer do presidente da República do que analisar tecnicamente suas decisões, as implicações para a sociedade, para o País.

Obviamente, deve-se encarar esse processo como uma fase intermediária -do contrário, o melhor a fazer seria desacreditar para sempre na capacidade da imprensa de conquistar a qualidade. À medida que o país vai amadurecendo, vai-se percebendo que esse estilo de Jornalismo-show vai ser superado, ou pelo menos confinado nas seções próprias para tal.

Dentro de algum tempo, o Jornalismo começará a ser analisado, também, de acordo com o conceito de relevância, e não apenas pela catarse que pretende provocar nos seus leitores."

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Análise_Mordomias


Mordomias são admitidas pelos manuais de redação

A viagem de aproximadamente 30 jornalistas à Itália, a convite da Fiat-Alfa Romeo, elevou o som da discussão sobre mordomias que jornalistas e empresas de Comunicação costumam aceitar. Os manuais de redação à venda no mercado são severos - excetuado o do Estadão, que se limita a normas de redação e estilo e portanto não trata do assunto. Se tratasse, o jornal não teria sido apanhado de calças curtas ao saber que a revista Veja divulgaria a mordomia dos jornalistas na Itália - dos quais um batalhão de oito pertencia ao Estadão e seu caçula Jornal da Tarde. O colunista social do jornal, César Giobbi, acendeu o holofote ao publicar notas em sua coluna Persona. “Um grupo de jornalistas classe A está em Milão, a convite de Alfa Romeo, numa viagem de luxo nababesco”, escreveu Giobbi.

Quando soube da apuração de Veja, o Estadão noticiou a viagem e apresentou como “norma básica não publicar reportagens de jornalistas em viagens a convite de empresas ou quaisquer instituições”. As notas, na coluna de Giobbi foram atribuídas, pelo meio de comunicação, a “uma falha de comunicação interna”. Ao publicar parte da lista dos jornalistas classe A embarcados pela Fiat, Veja informou que o editor-executivo da Folha escrevera matéria favorável à empresa. O Manual de Redação da Folha, o primeiro e mais minucioso da imprensa brasileira, trata do assunto no verbete Convite. Deixa claro que jornalistas “podem viajar a convite de instituições, governos ou personalidades”, mas a Folha não se compromete a publicar matérias em retribuição. Quando publica, indica, no pé do texto, que o autor viajou por conta do promotor da viagem. O Manual de Zero Hora promete a mesma regra, e o do Globo, limitado, tal como o do Estadão, a normas de redação e estilo, foi acrescido de um código de Objetivos, Princípios e Valores onde é fixada política idêntica à da Folha. De um modo geral, os manuais proíbem jornalistas de receber presentes ostensivamente indicadores de suborno.

Seguramente não há empresa de comunicação (e jornalista influente) que não tenha embarcado em viagens como a da Fiat. Na verdade, as empresas usaram durante muito tempo convites desse tipo para “premiar” jornalistas. Os cadernos de turismo sempre foram uma espécie de “grátistur”: companhias aéreas, agências de viagem e de lazer bancavam passagem e hospedagem para repórteres, e na volta eles seduziam o leitor a pagar a viagem de sonhos que fizeram de graça. Um chefe de redação ou colunista na classe econômica poderia ser transferido para a primeira classe sem pagar a diferença. No fim do ano, as redações ficavam coalhadas de prendas que não podiam ser chamadas de inócuas - de caixas de vinho a calculadoras eletrônicas.
A imprensa preocupou-se com o assunto a partir da CPI Collor-PC, quando passou a inocular dúvida nos homens públicos que aceitam presentes - incluindo calendários e viagens nababescas - de empresas ou instituições, sobretudo empreiteiras. A fase aguda de zelo ocorreu durante a CPI do Orçamento, quando parlamentares que haviam recebido presentes de empresas como a Odebrecht foram crucificados (Roseana Sarney). Para a mídia, o dinheiro das empreiteiras somente é honesto na forma de publicidade e patrocínio de cadernos especiais e...Brindes ofertados aos leitores.

Se auto-aplicasse o rigor cobrado dos homens públicos, a mídia teria de reescrever seus manuais. Os capítulos modernos são os que vedam a aceitação de presentes e facilidades que podem influir nas reportagens. Os verbetes discutíveis são os que revelam ao leitor que o jornalista autor da matéria sobre a excelente performance e os novos produtos da empresa F viajou a convite da empresa F. Para que serve a advertência? Antes de significar transparência, serve à desconfiança do leitor. Ele deve dar um desconto ao que ler? O leitor pode suspeitar que o jornalista dourou a pílula para não trair o patrocinador da viagem?

Fonte: Instituto Gutenberg